DESENVOLVIMENTO E ECONOMIA SOLIDÁRIA: UMA REFLEXÃO NECESSÁRIA

Autores

  • Luiz Alexandre Canavezi de Paiva UNIVERSIDADE DE TAUBATE - Unitau
  • Elisa Maria Andrade Brisola Universidade de Taubate - UNITAU e Centro Universitário do Sul de Minas - UNIS-MG
  • Alexandra Magna Rodrigues Universidade de Taubaté - UNITAU

DOI:

https://doi.org/10.22295/grifos.v32i58.6896

Palavras-chave:

Desenvolvimento Humano; Economia Solidária; Agricultura Familiar.

Resumo

O desenvolvimento, embora costumeiramente analisado sob a ótica da economia, não é exclusividade dela, pois combina algumas variantes. Não obstante, seu conceito é frequentemente associado ao crescimento econômico, negligenciando-se seu inegável aspecto pluralista, além de o fator humano ser relegado a segundo plano, em análises econômicas. Este artigo, de caráter bibliográfico, tem, como pano de fundo, a questão agrária e discute a relação entre economia solidária, agricultura familiar e o desenvolvimento como um todo.  Procura-se debater as dificuldades dos camponeses frente à política econômica que privilegia o agronegócio como estratégia para o desenvolvimento. Inconciliável sob a ótica capitalista predominante, o dilema entre interesses financeiros e ecológicos fez emergir algumas concepções que buscam confrontar ou, ao menos, amenizar os efeitos deletérios do modelo vigente, dentre as quais o artigo destaca: a agroecologia, a economia solidária e o ecossocialismo. Como resultado, tem-se a complexidade da discussão e os limites do desenvolvimento na ordem capitalista. Porém, constata-se a importância da economia solidária como estratégia de sobrevivência das classes de trabalhadores do campo e da cidade, sem desconsiderar a exigência por organização e luta dos movimentos sociais nesse processo.

Biografia do Autor

Luiz Alexandre Canavezi de Paiva, UNIVERSIDADE DE TAUBATE - Unitau

Mestrando do Programa de Mestrado em Desenvolvimento Humano da Universidade de Taubaté-UNITAU. Taubaté/SP - Brasil

Elisa Maria Andrade Brisola , Universidade de Taubate - UNITAU e Centro Universitário do Sul de Minas - UNIS-MG

Doutora em Serviço Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC/SP

Docente do Programa de Mestrado em Desenvolvimento Humano da Universidade de Taubaté - UNITAU, Taubaté/SP - Brasil

Docente do Programa de Mestrado em Gestão e Desenvolvimento Regional do Centro Universitário do Sul de Minas - UNIS-MG, Varginha/MG - Brasil

Alexandra Magna Rodrigues, Universidade de Taubaté - UNITAU

Doutora em Ciências pela Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP

Coordenadora do Programa de Metrado em Desenvolvimento Humano da Universidade de Taubaté - UNITAU, Taubaté/SP - Brasil

Referências

ANTUNES, R. O Privilégio da Servidão: o novo proletariado de serviços na era digital. São Paulo: Boitempo: 2018.

BARBOSA, R. N. C. A economia solidária como política pública: uma tendência de geração de renda e ressignificação do trabalho no Brasil. São Paulo: Cortez, 2007.

BENEDICTO et al. Precarização das relações do trabalho rural no Brasil: uma abordagem histórico-analítica. I Encontro de Gestão de Pessoas e Relações do Trabalho. Natal, jun., 2007, p. 1-14.

BONENTE, B. I. Desenvolvimento em Marx e na teoria econômica: por uma crítica negativa do desenvolvimento capitalista. Marx e o Marxismo v.2, n.3, ago./dez 2014.

BRESSER-PEREIRA, L. C. Desenvolvimento, progresso e crescimento econômico. Lua Nova, São Paulo, n. 93, p. 33-60, dez. 2014. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0102-64452014000300003. Acesso em: 19 jul. 2020.

BRISOLA, E. M. A. Estado penal, criminalização da pobreza e Serviço Social. Ser Social (UnB), v.14, p. 127-154, 2012.

CHRISTOFFOLI, P. I. Estímulo à cooperação entre os beneficiários da reforma agrária. Revista da Associação Brasileira de Reforma Agrária - ABRA, v. 34, n.2, jul./dez, 2007.

CIRELLI, G. L. A concepção de desenvolvimento sustentável (DS)sob uma perspectiva crítica. Revista de Direito e Sustentabilidade. Evento Virtual, v,6, n.1, p. 37-54, 2020. Disponível em: https://indexlaw.org/index.php/revistards/article/view/6367. Acesso em: 10 out. 2021.

CORREA, R. A. S. Economia solidária e a inclusão produtiva. 16º Congresso Brasileiro de Assistentes Sociais Tema: “40 anos da “Virada” do Serviço Social” Brasília (DF, Brasil), 30 de outubro a 3 de novembro de 2019. Disponível em: https://broseguini.bonino.com.br/ojs/index.php/CBAS/article/view/1660. Acesso em: 12 out. 2021

CRUZ, S. S. O fenômeno da pluriatividade no meio rural: atividade agrícola de base familiar. Serv. Soc. Soc., São Paulo, n. 110, p. 241-269, jun. 2012. Disponível em https://www.scielo.br/j/sssoc/a/jSWLrP8pxDyVqb7skGVVWLt/?format=pdf&lang=pt. Acesso em 24 jul. 2020.

DELGADO, G. C; BERGAMASCO, S. M. P. P. (org.) Agricultura familiar brasileira: desafios e perspectivas de futuro. Brasília: Ministério do Desenvolvimento Agrário, 2017.

DOWBOR, L. A era do capital improdutivo: Por que oito famílias têm mais riqueza do que a metade da população do mundo? São Paulo: Autonomia Literária, 2017.

DOWBOR, L. O capitalismo se desloca: novas arquiteturas sociais. São Paulo: Edições Sesc São Paulo, 2020.

FERNANDES, B. M. Territórios da questão agrária: campesinato, reforma agrária e agronegócio. Revista da Associação Brasileira de Reforma Agrária- ABRA, v. 34, n.2, jul./dez, 2007

FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. 17. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987

FURTADO, C. O Mito do Desenvolvimento Econômico. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1974.

GRAMSCI, A. Selections from the prison notebooks of Antonio Gramsci. Nova Iorque: International Publishers, 1971.

GUANZIROLI, C. E. et al. Agricultura familiar e reforma agrária no século XXI. Rio de Janeiro: Garamond, 2009.

GUIMARÃES, J. R. S.; JANNUZZI, P. M. IDH, indicadores sintéticos e suas aplicações em políticas públicas. uma análise crítica. Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais, Recife, v. 7, n. 1, mai., 2005, pp. 73-90.

HARARI, Y. N. Sapiens – Uma breve história da humanidade. Porto Alegre, RS: L&PM, 2019.

HUBERMAN, L. História da riqueza do homem. Tradução de Waltensir Dutra. São Paulo: Zahar Editora, 1981.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Censo agropecuário: resultados definitivos. Rio de Janeiro: IBGE, 2019.

IVO, A. B. L. O paradigma do desenvolvimento: do mito fundador ao novo desenvolvimento. Cad. CRH, Salvador, v. 25, n. 65, p. 187-210, ago. 2012. Disponível em https://www.scielo.br/j/ccrh/a/g9Wq4vqJyjjwZr5rmBKDPNC/?format=pdf&lang=pt. Acesso em 16 ago. 2020.

LAVILLE, J. L., GAIGER, L.I. Economia Solidária. In: HESPANHA P. et al. Dicionário Internacional da Outra Economia. Coimbra: Almedina, 2009.

LEHER, R. Políticas do ensino superior para a promoção do Desenvolvimento Humano. Revista Forges. Revista FORGES (Especial), 2020, p. 150-164. Disponível em: https://www.revistaforges.pt/index.php/revista/article/view/112. Acesso em: 11 out. 2020

LOWY, M. Crise ecológica, crise capitalista, crise de civilização: a alternativa ecossocialista. Cad. CRH, Salvador, v. 26, n. 67, p. 79-86, abr. 2013. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ccrh/a/dZvstrPz9ncnrSQtYdsHb7D/?lang=pt. Acesso em: 24 jul. 2020.

LOWY, M. Cenários do pior e alternativa ecossocialista. Serv. Soc. Soc., São Paulo, n. 104, p. 681-694, dez. 2010. Disponível em: https://www.scielo.br/j/sssoc/a/CDgQYYXBrJCtTqCxwgpJCwp/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 24 jul. 2020.

MARANHÃO, C. H. Desenvolvimento social como liberdade de mercado: Amarthya Sem e a renovação das promessas liberais. In. MOTA, A. E (ORG.). As ideologias da contrarreforma e o Serviço Social. Recife: Editora Universitária, 2010.

MARX, K. O capital. Crítica da economia política. São Paulo: Abril Cultural, 1984.

MELO, J. A. T. A crise ambiental planetária e as respostas da sociedade civil: um olhar ecossocialista. Revista da FA7: periódico científico e cultural da Faculdade 7 de Setembro/ Faculdade 7 de Setembro. Fortaleza, v.1, n.1, jan./jun. 2003.

MÉSZÁROS, I. Para além do capital: rumo a uma teoria da transição. São Paulo: Boitempo, 2011.

MITIDIERO JUNIOR, M. A.; GOLDFARB, Y. O agro não é tech, o agro não é pop e muito menos tudo. São Paulo: Friedrich-Ebert-Stiftung (FES) Brasil, 2021.

MONTENEGRO GÓMEZ, J. Crítica ao conceito de desenvolvimento. Pegada Eletrônica, Presidente Prudente, v. 3, n.1, 2002, p. 20-32. Disponível em: http: //revista.fct.unesp.br/index.php/pegada/article/viewFile/798/821. Acesso em: 10 out. 2021.

MOREIRA, R. M., CARMO M. S. Agroecologia na construção do desenvolvimento rural sustentável. Agric. São Paulo, São Paulo, v. 51, n. 2, p. 37-56, jul./dez. 2004

MOTHÉ, D. Autogestão. In: HESPANHA P. et al. Dicionário Internacional da Outra Economia. Coimbra: Almedina, 2009.

NAKATANI, P.; FALEIROS, R. N.; VARGAS, N. C. Histórico e os limites da reforma agrária na contemporaneidade brasileira. Serv. Soc. Soc., São Paulo, n. 110, p. 213-240, jun. 2012. Disponível em: https://www.scielo.br/j/sssoc/a/FtqqWfKDnQxskyfMFxMgPmG/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 23 jul. 2020.

OLIVEIRA, A. U. Modo de produção capitalista, agricultura e reforma agrária. São Paulo: FFLCH, 2007.

OLIVEIRA, G. B. de. Uma discussão sobre o conceito de desenvolvimento. Revista da FAE, Curitiba, v.5, n.2, p.41-48, maio/ago. 2002.

O GIFE. Desmatamento da Amazônia Legal cresce 279% em 2020. Disponível em https://gife.org.br/desmatamento-da-amazonia-legal-cresce-279-em-2020/ Acesso em: out.2021.

PORTO-GONÇAVES, C. W. O desafio ambiental. Rio de Janeiro: Record, 2004.

PRADO JÚNIOR, C. Formação do Brasil Contemporâneo: colônia. 12. ed. São Paulo: Brasiliense, 1972.

RATTNER, H. Economia solidária – por quê?. Desafios da economia solidária. vol. 4. Série Le Monde Diplomatique. São Paulo: Instituto Paulo Freire, 2008

RODRIGUES, M. C. P. O índice do desenvolvimento humano (IDH) da ONU. Revista Conjuntura Econômica, Rio de Janeiro, julho 1993.

SANDRONI, P. Novíssimo dicionário de economia. São Paulo: Best Seller, 1999.

SEN, A. Desenvolvimento como liberdade. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

SINGER, P. Introdução à economia solidária. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2002.

SOUZA, N. J. Desenvolvimento econômico. 6.ed. São Paulo: Atlas, 2012

VASCONCELLOS, M. A. S. de; GARCIA, M. E. Fundamentos de economia. 5. ed. São Paulo: Saraiva, 2014.

WANDERLEY, M.N.B. “Franja Periférica”, “Pobres do Campo”, “Camponeses”: dilemas da inclusão social dos pequenos agricultores familiares In: DELGADO; G. C., BERGAMASCO, S. M. P. P. (org.) Agricultura familiar brasileira: desafios e perspectivas de futuro. Brasília: Ministério do Desenvolvimento Agrário, 2017.

Publicado

2022-06-30

Edição

Seção

Artigos