Do Antropoceno ao Dataceno
corpos, algoritmos e a ficção do capitalismo verde
DOI:
https://doi.org/10.22562/2025.63.10Palavras-chave:
Colonialidade digital, Plataformização da natureza, IA climáticaResumo
A emergência de infraestruturas digitais aplicadas à gestão ambiental — como inteligência artificial climática, blockchain ecológico, sensores remotos e plataformas de monitoramento — tem consolidado um novo regime sociotécnico que algoritmiza territórios, corpos e ecossistemas. Este artigo analisa criticamente como essas tecnologias, inseridas na lógica do capitalismo de plataforma, reproduzem dinâmicas de colonialidade digital, financeirização da natureza e biopolítica algorítmica. Fundamentado em uma abordagem teórica, qualitativa e crítica, mobiliza referenciais dos estudos sobre colonialidade dos dados, curadoria algorítmica e epistemologias do Sul para investigar os impactos ontológicos, epistêmicos e políticos da plataformização da natureza e do patrimônio cultural no Antropoceno. Os resultados indicam que a conversão de ecossistemas em ativos digitais — por meio de NFTs, créditos de carbono e modelos preditivos — não apenas intensifica as desigualdades socioambientais, mas também aprofunda assimetrias epistêmicas e tecnopolíticas. Entretanto, emergem contra-hegemonias que articulam soberania dos dados, justiça climática e cosmopolíticas digitais como alternativas possíveis. Como limitação, destaca-se a natureza predominantemente teórica do estudo, sendo recomendada a realização de investigações empíricas futuras, especialmente etnografias digitais e estudos de caso em territórios diretamente impactados.
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