A EDUCAÇÃO E A MÍSTICA NO/DO MST:

percurso ético-político-educativo na construção de saberes e de um povo político emancipado

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22196/rp.v22i0.6348

Palavras-chave:

Mística. Educação emancipatória. MST. Formação humana.

Resumo

O presente artigo se inscreve na interface entre os Movimentos Sociais e a Educação, partindo da realidade da prática educativa da Mística do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A problemática que mobiliza esta reflexão é: quais as possíveis contribuições da Mística na perspectiva da educação emancipatória para o fortalecimento dos processos de formação humana no MST? O artigo tem como objetivo analisar as contribuições da Mística na perspectiva da educação emancipatória para o fortalecimento dos processos de formação humana no Movimento Sem Terra. Para tal itinerário, mobilizou-se a metodologia baseada na pesquisa bibliográfica. No desenvolvimento do percurso teórico-metodológico, fez-se uso das reflexões de autores abalizados nas discussões, tais como: Coelho (2010), Caldart (2012), Stedile e Fernandes (2012), Souza (2012), Moura (2019) e Figueiredo (2020). Por fim, concluiu-se que a Mística enquanto prática educativa possibilita o fortalecimento do processo de formação humana e identitária do povo político do MST e, ao mesmo tempo, a educação para a coletividade a qual torna consistente a existência e a mobilização organizativa e política do Movimento Sem Terra no decorrer da história e das lutas sociais por um projeto societário outro.

Biografia do Autor

Allan Diêgo Rodrigues Figueiredo, Universidade Federal de Pernambuco - UFPE

Doutorando no Programa de Pós-Graduação em Educação pela Universidade Federal de Pernambuco – UFPE. Membro do Grupo de Estudos e Pesquisas Interdisciplinar em Formação Humana, Representações e Identidades (GEPIFHRI/UFPE/CNPq) e do Grupo de Estudo, Pesquisa e Extensão em Educação do Campo e Quilombola (GEPECQ(UFPE/CNPq). E-mail: allandiego_st@hotmail.com

André Gustavo Ferreira da Silva, Universidade Federal de Pernambuco - UFPE

Doutor em Educação pela UFPE. Professor do Programa de Pós-graduação em Educação (PPGEdu-UFPE). Membro do Centro Paulo Freire de Estudos e Pesquisas. Pesquisador do Grupo de Estudos e Pesquisas Interdisciplinar em Formação Humana, Representações e Identidades (GEPIFHRI/UFPE/CNPq). E-mail: andreferreiraufpe@gmail.com

Referências

ARROYO, Miguel González. Prefácio. In: CALDART, Roseli Salete. Pedagogia do Movimento Sem Terra. São Paulo: Expressão Popular, 2012.

BICALHO, Ramofly. A dimensão educativa e o fazer pedagógico no Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Revista Pedagógica, v. 23, p. 1-21, 2021.

BOFF, Leonardo; BETTO, Frei. Mística e espiritualidade. Rio de Janeiro: Rocco, 1996.

BOGO, Ademar. Lições da luta pela terra. Salvador: Memorial das Letras, 1999.

CALDART, Roseli Salete. Pedagogia do Movimento Sem Terra: escola é mais que escola. Petrópolis: Vozes, 2000.

CALDART, Roseli Salete. O MST e a formação do Sem Terra: o movimento social como princípio educativo. Estudos Avançados vol. 15, n. 43, São Paulo, Set/Dez 2001. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0103-40142001000300016 Acesso: 23 abr.2021.

CARRILLO, Alfonso Torres. A Educação Popular como prática política e pedagógica emancipadora. In: STRECK, Danilo; ESTEBAN, Maria Teresa (org.). Educação Popular: lugar de construção social coletiva. Petrópolis: Vozes, 2013.

CERIOLI, Paulo Ricardo; CALDART, Roseli. Como fazemos a escola de educação fundamental. São Paulo: MST, 1999. Caderno de Educação n. 9.

COELHO, Fabiano. A prática da Mística e a luta pela terra no MST. Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em História. Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). Dourados, 2010.

DALMAGRO, Sandra Luciana. A escola no contexto das lutas do MST. In: VENDRAMINI, Célia Regina; MACHADO, Ilma Ferreira, (Orgs.). Escola e Movimento Social: experiências em curso no campo brasileiro. São Paulo, Expressão Popular, 2011.

FIGUEIREDO, Allan Diêgo Rodrigues. A prática pedagógica educador-educando no curso Pé no Chão do MST: caminhos para (re)pensar a formação humana. 2020. Dissertação (Mestrado em Educação Contemporânea) - Universidade Federal de Pernambuco, Caruaru, 2020.

FIGUEIREDO, Allan Diêgo Rodrigues; ALENCAR, Maria Fernanda dos Santos. Paulo Freire e a pedagogia do MST: caminhos para (re)pensar a formação humana. Revista Debates Insubmissos, Caruaru, PE. Brasil, ano 2, v. 2, no 4. Edição Especial. 2019. Disponível em: https://periodicos.ufpe.br/ revistas/debatesinsubmissos/. Acesso em: 24.04.2021.

FIGUEIREDO, Allan Diêgo Rodrigues; MIRANDA, Marcelo Henrique Gonçalves de; ALENCAR, Maria Fernanda dos Santos. MST e Educações: interfaces mobilizadoras de humanização. Revista Saberes da Amazônia, Porto Velho, v. 3, n. 7, jul-dez 2018, p. 2-32.

FIGUEIREDO, Allan Diêgo Rodrigues; SILVA, André Gustavo Ferreira da. Reflexões sobre a Educação do/no MST: marcas de autoria coletiva de um pensamento pedagógico. In: CASTRO, Paula Almeida de. (Org.). Educação como (re)Existência: mudanças, conscientização e conhecimentos. Campina Grande: Realize Editora, 2021. v. 1.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.

FREIRE, Paulo. Cartas à Cristina. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1994.

GENTILI, Pablo; McCOWAN, Tristan. Reinventar a escola pública: política educacional para um novo Brasil. Petrópolis: Vozes, 2003.

GOHN, Maria da Glória. Os Sem-Terra, ONGs e Cidadania. São Paulo: Cortez, 2000.

GOHN, Maria da Glória. Educação não-formal e cultura política. 3.ed. São Paulo: Cortez, 2005.

GUERRA, Santiago. Mística. In: SILANES, Nereo; PIKAZA, Xavier. Dicionário Teológico: o Deus Cristão. São Paulo: Paulus, 1988, p. 574-586.

INDURSKY, Freda. O ritual da mística no processo de identificação e resistência In: Revista RUA [online]. 2014, Edição Especial - ISSN 1413-2109. Consultada no Portal Labeurb – Revista do Laboratório de Estudos Urbanos do Núcleo de Desenvolvimento da Criatividade. http://www.labeurb.unicamp.br/rua/ Acesso em 23.04.21.

LARA JÚNIOR, Nadir. A mística no cotidiano do MST: a interface entre religiosidade popular e política. 2005. 154 f. Dissertação (Mestrado em Psicologia Social) - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo.

LIBÂNIO, João Batista. Imagens de Deus na pós-modernidade. In: BOGAZ, Antonio Sagrado; COUTO, Márcio Alexandre (Org). Deus, onde estás? A busca de Deus numa sociedade fragmentada. São Paulo: Loyola, 2001, p.71.

MORISSAWA, Mitsué. A História da luta pela terra e o MST. São Paulo: Expressão Popular, 2001.

MOURA, Ricelio Régis Barbosa da Silva. Pedagogia do MST e epistemologia da mística: uma gramática simbólica da formação de militantes. 2019. Dissertação (Mestrado em Educação Contemporânea) – Universidade Federal de Pernambuco, Caruaru, 2019.

MST. A questão da Mística no MST. São Paulo, abril de 1991.

MST. Princípios da educação no MST: Reforma agrária, semeando educação e cidadania. Caderno de Educação n. 8. São Paulo, 1996.

MST. Ocupando a Bíblia. Caderno da Educação n. 10, São Paulo: MST, outubro 2000.

MST, Dossiê MST Escola, ITERRA, 2005.

NASCIMENTO, Claudemiro Godoy do; MARTINS, Leila Chalub. Pedagogia da mística: as experiências do MST. Emancipação, Ponta Grossa, 8(2): 109-120, 2008. Disponível em: <http://www.uepg.br/emancipacao> Acesso: 23 abr.2021.

SAMPAIO, Plínio de Arruda. In: MST – XVII encontro estadual, textos para estudo e debate. Iaras, SP: 2001.

SANTOS, Boaventura de Sousa. A gramática do tempo: para uma nova cultura política. São Paulo: Cortez, 2006.

SOUZA, Rafael Bellan Rodrigues de. A mística do MST: mediação da práxis formadora de sujeitos históricos. 2012. 147 f. Tese (doutorado) - Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Faculdade de Ciências e Letras (Campus de Araraquara), 2012. Disponível em: <http://hdl.handle.net/11449/106259>. Acesso em 23.04.21.

STEDILE, João Pedro; FERNANDES, Bernardo Mançano. Brava Gente: a trajetória do MST e a luta pela terra no Brasil. 2.ed. São Paulo: Expressão Popular, coedição Fundação Perseu Abramo, 2012.

Publicado

2021-09-05

Edição

Seção

Dossiê: SABERES, MOVIMENTOS E EDUCAÇÃO: diálogos (in)comuns