ASPECTOS DA EDUCAÇÃO INFORMAL NA COLÔNIA BLUMENAU: o caso da linguiça Blumenau

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22196/rp.v22i0.6370

Palavras-chave:

Teuto-brasileiros. Aprendizagem. Linguiça Blumenau.

Resumo

Este artigo dá continuidade a uma reflexão que vem sendo realizada sobre as construções realizadas pelos imigrantes em Santa Catarina no confronto entre os conhecimentos trazidos das regiões de origem e a realidade encontrada nas colônias. Focalizamos aqui o segmento representado pelas famílias de imigrantes alemães que vieram para a antiga colônia Blumenau a partir de 1850 e seus descendentes empregando como fonte de informação os documentos presentes nos arquivos públicos locais e os relatos orais dos descendentes permitindo, de um lado, apreender as visões e vivências cotidianas desse grupo, e, de outro, obter informações valiosas sobre um produto em especial cuja receita foi e ainda é ensinada de geração em geração: a linguiça Blumenau. Este produto característico desta colônia em especial apresenta uma importância cultural até os dias atuais, mas o processo de ensino e aprendizagem envolvido na sua produção ao longo de mais de um século esteve a cargo de processos de educação informais, primeiro no âmbito da família e, posteriormente, no mundo do trabalho. A história da educação nas colônias teuto-brasileiras consiste num capítulo que promove a diversidade e demonstra a complexidade dos processos educacionais catarinenses e brasileiros. Conhecer a complexidade que integra a educação formal e informal é fundamental ao profissional da educação para pensar tanto o fazer pedagógico quanto seu papel na sociedade.

 

Biografia do Autor

Paola Beatriz May Rebollar, Centro Universitário São José (USJ) e Faculdade Cesusc

Doutorado em Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Santa Catarina, UFSC, Brasil. Professora do Centro Universitário Municipal de São José, USJ e Faculdade Cesusc. E-mail: paola.rebollar@gmail.com

Referências

ANNUÁRIO DO ENSINO DO ESTADO DE SÃO PAULO. São Paulo: Directoria Geral de

Instrucção Pública, 1918.

ARON, Jean-Paul. A cozinha: um cardápio do século XIX. In: LE GOFF, Jacques; NORA, Pierre (Eds.). História: novos objetos. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1974. p. 160-185.

BACELLAR, Carlos. Uso e mau uso dos arquivos. In: PINSKY, Carla Bassanezi (org). Fontes Históricas. São Paulo: Contexto, 2015. p.23-79.

BLUMENAU, H. Notas Estatísticas sobre a Colônia Blumenau (Província de Santa Catarina) no Sul do Brasil do ano de 1862. Blumenau em Cadernos, v.5, n.4, p.1-24, 1962.

BOM MEIHY, José Carlos. Manual de História Oral. São Paulo: Loyola, 2004.

CASCUDO, Luís da Câmara. História da Alimentação no Brasil: pesquisas e notas. São Paulo: Edusp, 1983.

DALL’ALBA, João Leonir. Santa Catarina: estado de graça. Orleans: Gráfica do Lelo, 2008.

DE MARTINI, Zeila de Brito Fabri. Imigrantes: entre políticas, conflitos e preconceitos. Cadernos Ceru, v. 21, n.2, p. 49-75, dez. 2010.

FERREIRA, Marieta de Moraes. Notas iniciais sobre a história do tempo presente e a historiografia no Brasil. Tempo e Argumento, Florianópolis, v. 10, n. 23, p.80-108, 2018.

GERLACH, Gilberto Schmidt (org.). Colônia Blumenau no sul do Brasil. São José: Clube de Cinema Nossa Senhora do Desterro, 2019.

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Cidades. Disponível em https://cidades.ibge.gov.br/. Acessado em 10 out 2020.

KLUG, João. A Escola Teuto-Catarinense e o Processo de Modernização em Santa Catarina: ação da igreja luterana através das escolas (1871-1938). 1997. 213p. Tese (Doutorado em História Social). Universidade de São Paulo/ USP, São Paulo, 1997.

KOCH, Walter. A escola evangélica teuto-brasileira. In: FIORI, Neide Almeida (org.) Etnia e Educação: a escola “alemã” do Brasil e estudos congêneres. Florianópolis: Editora da UFSC, 2003. P. 77-92.

LUNA, José Marcelo Freitas de. O português na escola alemã de Blumenau: da formação à extinção de uma prática. Blumenau: Editora da FURB, 2000. 178p.

MENESES, Ulpiano T. Bezerra; CARNEIRO, Henrique. A História da Alimentação: balizas historiográficas. Anais do Museu Paulista, São Paulo, v.5, p. 9-91, 1997.

NORA, Pierre. Entre memória e história: a problemática dos lugares. Projeto História, São Paulo, n. 10, p. 7-28, jul – dez 1993.

OSTERMANN, Ferdinand. A História de Blumenau na Correspondência dos Imigrantes. Blumenau em Cadernos., v.9, n.4, p.71, Nov 1862.

PAMPLONA, Nelson Vieira. Sabores da Colônia Blumenau: a história dos que produziam defumados e queijos; Edição do Autor, 2007.

PELEGRINI, Sandra C.A. A gestão do patrimônio imaterial brasileiro na contemporaneidade. História, São Paulo, v.27, n. 2, p. 145-173.

PELEGRINI, Sandra C.A. O patrimônio cultural e a materialização das memórias individuais e coletivas. Patrimônio e Memória, v. 3, n. 1, p. 87-100, 2007.

PIAZZA, Walter Fernando; HUBENER, Laura Machado. Santa Catarina: história da gente. Florianópolis: Editora Lunardelli, 2003.

PORTELLI, Alessandro. História oral como arte da escuta. São Paulo: Letra e voz, 2016.

PORTELLI, Alessandro. O que faz a história oral diferente. Proj. História, São Paulo, v. 14, p. 25-39, 1997.

RELATÓRIO sobre as escolas dos tiroleses na paróquia de Rodeio – Município de Blumenau em 1910. Blumenau em Cadernos, n. 2, p. 53-54, fev. 1987.

RICOEUR, Paul. A memória, a história, o esquecimento. Campinas/SP: Editora da Unicamp, 2007.

SANTOS, Ademir Valdir dos. Zeitgeist ou espírito alemão: etno-história de germanidade e instituição da escola em Santa Catarina. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 41, n. 2, p. 325-340, jun. 2015.

SEYFERTH, Giralda. Socialização e Etnicidade: a questão escolar teuto-brasileira (1850-1937). Mana, Rio de Janeiro, v. 23, n. 3, p. 579-607, set. 2017.

SEYFERTH, Giralda. A dimensão cultural da imigração. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 26, n. 77, p. 47-62, 2011.

SEYFERTH, Giralda. A conflituosa história da formação da etnicidade teuto-brasileira. In: FIORI, Neide Almeida (org.) Etnia e Educação: a escola “alemã” do Brasil e estudos congêneres. Florianópolis: Editora da UFSC, 2003. P. 77-92.

SEYFERTH, Giralda. Imigração e cultura no Brasil. Brasília: UnB, 1990

SILVA, Maurício R.; COSTA, Miguel Angelo S. da. Educação não-formal e informal: outros textos e contextos educacionais. Revista Pedagógica, v. 15, n.31, p. 5-15, jul-dez, 2013.

SILVA, Daniele Hungaro da; MONTAGNOLI, Gilmar Alves. Uma perspectiva formal e informal em pauta: a relação educação e trabalho. Revista Pedagógica, v. 15, n. 31, p. 59-71, jul-dez 2013.

SINGER, Paul. Desenvolvimento econômico e evolução urbana. São Paulo: Editora da USP, 1968.

SOUTO, Américo Augusto da Costa. Industrialização de Santa Catarina: o Vale do Itajaí e o litoral de São Francisco, das origens ao mercado nacional (1850-1929). In: BRANCHER, Ana (org.). História de Santa Catarina: estudos contemporâneos. Florianópolis: Letras Contemporâneas, 1999.

STUTZER, Gustav. O Vale do Itajaí e o Município de Blumenau (1885). Blumenau em Cadernos, v 28, n.8, p. 238-246, fev 1987.

WIEDERKHER, Alessandra Helena. A gênese da escola alemã no sul do Brasil. Florianópolis: Insular, 2014.

WOLFF, Cristina Scheibe. Como se forma uma “boa dona de casa”: a educação das mulheres teuto-brasileiras na Colônia Blumenau (1850-1900). In: MORGA, Antonio. A História das Mulheres de Santa Catarina. Florianópolis: Letras Contemporâneas, 2003. p. 158-180.

Publicado

2021-06-29

Edição

Seção

Dossiê Imigração e Colonização alemãs no Brasil