Arqueogenealogia da Política Indigenista

poder, discurso e tutela no Relatório Figueiredo

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22562/2025.63.15

Palavras-chave:

Relatório Figueiredo, Biopoder, Desterritorialização

Resumo

Este artigo analisa como a política indigenista no Brasil transformou os conceitos de tutela, integração e desenvolvimento em formas de governança que acabaram por violar territórios tradicionais. A partir do Relatório Figueiredo de 1967, ele utiliza uma abordagem de arqueogenealogia do poder, combinando etnografia documental com uma leitura histórico-estrutural para traçar um mapa das racionalidades, dispositivos e seus efeitos. No sul do antigo Mato Grosso, demonstra que demarcações inadequadas, arrendamentos, expulsões, cercamentos, fome e mortes evitáveis sofridas pelos Kaiowá, Terena e Kadiwéu não foram exceções, mas sim parte de uma rotina institucionalizada por regimes de verdade que racializam e hierarquizam as vidas. Além disso, revela as continuidades entre o SPI e a FUNAI, sugerindo que políticas indigenistas precisam romper com a lógica de tutela e se alinhar aos modos de ser e de viver dos povos indígenas.

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Biografia do Autor

Elvis Gomes Marques Filho, Universidade Estadual do Piauí

Doutorando pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e Mestre pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), ambos com área de concentração em Direitos Humanos. Professor Dedicação Exclusiva da Universidade Estadual do Piauí (UESPI). E-mail: elvisfilho@pcs.uespi.br.

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Publicado

2025-12-17