Teletrabalho na universidade pública: proposta de uma ferramenta gerencial de avaliação sociotécnica
DOI:
https://doi.org/10.22277/rgo.v19i2.8610Palavras-chave:
Teletrabalho, Administração Pública, Ferramenta gerencial, Abordagem sociotécnica, Avaliação organizacionalResumo
Objetivo: Propor uma ferramenta para avaliar as condições técnicas, pessoais e organizacionais que impactam a gestão do teletrabalho em universidades públicas brasileiras.
Método/abordagem: O estudo foi desenvolvido em duas etapas. A primeira consistiu em uma Revisão Sistemática de Literatura (RSL), que subsidiou a elaboração de uma ferramenta de avaliação das condições do teletrabalho, fundamentada na abordagem sociotécnica e estruturada em três dimensões: subsistemas técnico, pessoal e organizacional. Na segunda etapa, realizaram-se a aplicação da ferramenta em uma universidade pública e de entrevistas semiestruturadas para sua validação semântica. A triangulação dos dados quantitativos e qualitativos foi realizada por meio de uma análise de convergência semântica.
Principais Resultados: A fase de validação da ferramenta revelou comportamentos de desejabilidade social entre os participantes, indicando que os servidores valorizam o teletrabalho e buscam preservá-lo. Esse achado gerou reflexões sobre motivações individuais e coletivas dos servidores das universidades, o que ajudou a identificar ajustes necessários para aumentar a efetividade da ferramenta de avaliação, em termos de redação das assertivas, modelos de resposta e ampliação do escopo temático. Com isso, a ferramenta tornou-se mais sensível às realidades vivenciadas, ampliando sua efetividade e aderência ao contexto estudado.
Contribuições teóricas/práticas/sociais: A pesquisa contribui para o conhecimento sobre a gestão do teletrabalho no setor público, integrando a abordagem sociotécnica como base teórica para avaliar a sua efetividade. No campo prático, apresenta uma ferramenta de avaliação das condições sociotécnicas do teletrabalho, construída com base na literatura e validada empiricamente. A ferramenta permite diagnosticar situações que impactam o teletrabalho e pode orientar gestores no planejamento de ações mais estratégicas e humanizadas, sendo um recurso replicável com potencial para aprimorar programas de teletrabalho no setor público.
Originalidade/relevância: O estudo articula teoria e prática ao propor uma ferramenta baseada na abordagem sociotécnica, promovendo uma avaliação mais integrada e realista das condições do teletrabalho no serviço público.
Downloads
Referências
Bardin, L. (2011). Análise de conteúdo. Edições 70.
Beckel, J. L. O., & Fisher, G. G. (2022). Telework and Worker Health and Well-Being: A Review and Recommendations for Research and Practice. International Journal of Environmental Research and Public Health, 19(7), Article 3879. https://doi.org/10.3390/ijerph19073879
Bélanger, F., Watson-Manheim, M. B., & Swan, B. R. (2013). A multi-level socio-technical systems telecommuting framework. Behaviour & Information Technology, 32(12), 1257–1279. https://doi.org/10.1080/0144929X.2012.705894
Bentley, T. A., Teo, S. T. T., McLeod, L., Tan, F., Bosua, R., & Gloet, M. (2016). The role of organisational support in teleworker wellbeing: A sociotechnical systems approach. Applied Ergonomics, 52, 207–215. https://doi.org/10.1016/j.apergo.2015.07.019
Bresser-Pereira, L. C. (1997). Estratégia e estrutura para um novo Estado. Revista do Serviço Público, 48(1), 5–25. https://doi.org/10.21874/rsp.v48i1.375
Costa, A. R. L., & Hauck-Filho, N. (2017). Menos desejabilidade social é mais desejável: Neutralização de instrumentos avaliativos de personalidade. Interação em Psicologia, 21(3), 299–311. https://doi.org/10.5380/psi.v21i3.53054
Denzin, N. K. (2017). The research act: A theoretical introduction to sociological methods. Routledge. https://doi.org/10.4324/9781315134543 (Original work published 1970)
Filardi, F., Castro, R. M. P. de, & Zanini, M. T. F. (2020). Vantagens e desvantagens do teletrabalho na administração pública: Análise das experiências do Serpro e da Receita Federal. Cadernos EBAPE.BR, 18(1), 28–46. https://doi.org/10.1590/1679-395174605
Gohoungodji, P., N’Dri, A. B., & Matos, A. L. B. (2023). What makes telework work? Evidence of success factors across two decades of empirical research: A systematic and critical review. The International Journal of Human Resource Management, 34(3), 605–649. https://doi.org/10.1080/09585192.2022.2112259
Goulart, P. M., Medeiros, C. R. O., Kilimnik, Z. M., & Paula, A. V. (2012). Questionário de bem-estar no trabalho: Estrutura e propriedades psicométricas. Estudos de Psicologia (Campinas), 29(spe), 609–620. https://doi.org/10.1590/S0103-166X2012000500002
International Labour Organization. (2021, abril). Teleworking arrangements during the COVID-19 crisis and beyond. International Labour Organization. https://www.ilo.org/media/385776/download
Katz, D., & Kahn, R. L. (1966). The social psychology of organizations. John Wiley & Sons.
Leite, A. L., & Lemos, D. C. (2021). Gestão de pessoas e o teletrabalho: Desafios e possibilidades. Revista do Serviço Público, 72(2), 330–359. https://doi.org/10.21874/rsp.v72i2.4987
Lima, A. S., & Neto, N. P. R. (2020). Gestão judicial da pandemia COVID-19: O trabalho remoto como regra de funcionamento do Poder Judiciário. Revista de Política Judiciária, Gestão e Administração da Justiça, 6(2), 22–40. https://doi.org/10.26668/IndexLawJournals/2525-9822/2020.v6i2.6979
Lopes, A. L. R., & Lunardi, G. L. (2022). Adoção do teletrabalho em instituições de ensino durante a pandemia da Covid-19: Um estudo realizado com os servidores técnico- administrativos da Universidade Federal do Rio Grande – FURG. Revista de Gestão e Secretariado, 13(2), 26–54. https://doi.org/10.7769/gesec.v13i2.1282
Lu, Z., & Zhuang, W. (2023). “Can teleworking improve workers’ job satisfaction? Exploring the roles of gender and emotional well-being”. Applied Research Quality Life 18(3), 1433–1452. https://doi.org/10.1007/s11482-023-10145-4
Matias-Pereira, J. (2018). Administração pública: Foco nas instituições e ações governamentais (5ª ed. rev. e atual.). Atlas.
Mele, V., Belardinelli, P., & Bellé, N. (2023). Telework in public organizations: A systematic review and research agenda. Public Administration Review, 83(2), 360–375. https://doi.org/10.1111/puar.13734
Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos. (2026). Painel de Pessoas em PGD na Administração Pública Federal. Portal do Servidor. Recuperado em 14 de julho de 2026, de https://www.gov.br/servidor/pt-br/assuntos/programa-de-gestao/painel_pessoas_em_PGD_APF
Nunes, C., & Silva, N. (2024). Trabalho decente como pressuposto fundamental de felicidade no trabalho. Revista Gestão Organizacional, 17(1), 113–127. https://doi.org/10.22277/rgo.v17i1.7726
Pasquali, L. (2010). Instrumentação psicológica: Fundamentos e práticas. Artmed. https://www.academia.edu/41964177
Roever, L. (2020). Guia prático de revisão sistemática e metanálise. Thieme Revinter Publicações.
Santos, E. A. dos, Sallaberry, J. D., & Mendes, A. C. A. (2022). The influence of telework and management controls on the congruence of civil servant objectives. REGE Revista de Gestão, 29(3), 287–299. https://doi.org/10.1108/REGE-07-2021-0137
Secchi, L. (2009). Modelos organizacionais e reformas da administração pública. Revista de Administração Pública, 43(2), 347–369. https://doi.org/10.1590/S0034-76122009000200004
Siqueira, L. O., & Fritz Filho, L. F. (2022). Percepção de qualidade em serviços de ensino superior. Revista Gestão Organizacional, 15(1), 41–57. https://doi.org/10.22277/rgo.v15i1.5634
Souza, E. H., Silva, S. T., Chaebo, G., & Lopes, J. C. de J. (2021). Efeitos do teletrabalho em órgãos da administração pública e empresas públicas. Secretariado Executivo em Revist@, 15(2), 229–245. https://doi.org/10.5335/ser.v15i2.10354
Thiago, F., & Gonçalves, S. P. (2024, agosto 30). Tendências de teletrabalho: Analisando experiências de gestores públicos no Brasil e em Portugal. Boletim de Conjuntura (BOCA), 19(56), 313–347. Editora IOLE. https://doi.org/10.5281/zenodo.13836137
Tomei, M. (2021). Teleworking: A Curse or a Blessing for Gender Equality and Work-Life Balance? Intereconomics, 56(5), 260–264. https://doi.org/10.1007/s10272-021-0995-4
Trist, E. L., & Bamforth, K. W. (1951). Some social and psychological consequences of the longwall method of coal-getting: An examination of the psychological situation and defences of a work group in relation to the social structure and technological content of the work system. Human Relations, 4(1), 3–38. https://doi.org/10.1177/001872675100400101
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Estou ciente de que, em sendo aprovado, a publicação do artigo será no formato on-line na RGO.
Também tenho ciência de que há autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
Do ponto de vista do Creative Commons, a Revista Gestão Organizacional é de acesso aberto e irrestrito, porém não permitindo adaptações nos artigos, nem o uso comercial.
Sobre a licença Creative Commons: As licenças e instrumentos de direito de autor e de direitos conexos da Creative Commons forjam um equilíbrio no seio do ambiente tradicional “todos os direitos reservados” criado pelas legislações de direito de autor e de direitos conexos. Os nossos instrumentos fornecem a todos, desde criadores individuais até grandes empresas, uma forma padronizada de atribuir autorizações de direito de autor e de direitos conexos aos seus trabalhos criativos. Em conjunto, estes instrumentos e os seus utilizadores formam um corpo vasto e em crescimento de bens comuns digitais, um repositório de conteúdos que podem ser copiados, distribuídos, editados, remixados e utilizados para criar outros trabalhos, sempre dentro dos limites da legislação de direito de autor e de direitos conexos.
A Revista Gestão Organizacional adota o sistema: Atribuição-SemDerivações-SemDerivados CC BY-NC-ND: Permite o download dos seus trabalhos e o compartilhemento desde que atribuam crédito, mas sem que possam alterá-los de nenhuma forma ou utilizá-los para fins comerciais.


















