EDUCAÇÃO MATEMÁTICA NAS PESQUISAS E PRODUÇÃO ACADÊMICA
análises de um estado do conhecimento
DOI:
https://doi.org/10.22196/rp.v28.8737Palavras-chave:
Educação Matemática., Governamentalidade., Análise do discurso., Subjetivação.Resumo
Este artigo apresenta um Estado do Conhecimento acerca das pesquisas brasileiras que articulam a Educação Matemática com discursos de governamentalidade, análise do discurso e processos de subjetivação, no período de 2016 a 2024. Fundamentado na perspectiva foucaultiana, o estudo problematiza como a matemática, para além de conteúdo disciplinar, opera como dispositivo de poder e verdade, atravessando práticas escolares e a constituição de sujeitos. A metodologia envolveu o mapeamento de teses, dissertações e artigos nas bases da CAPES e da Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), a partir dos descritores “análise do discurso”, “educação matemática”, “Foucault” e “neoliberalismo”. Após a aplicação de filtros de exclusão, foram analisadas 15 produções acadêmicas, que evidenciam a presença de discursos normativos sobre avaliação, memorização, evasão, currículo, práticas docentes e competições escolares. Os resultados revelam que tais discursos, mesmo quando se apresentam como emancipadores, podem reforçar dinâmicas de controle, exclusão e adaptação a racionalidades neoliberais, ainda que também abram espaços para resistências e contracondutas. Conclui-se que a Educação Matemática pode ser compreendida como prática discursiva atravessada por jogos de verdade que influenciam tanto a formação docente quanto a experiência dos estudantes. O mapeamento permite identificar lacunas e tensionamentos no campo, destacando a relevância de investigações que articulem currículo, governamentalidade e subjetivação no contexto educacional contemporâneo.
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